quarta-feira, 17 de junho de 2009

Futebol no Brasil !

3° parte

'' Fim do Amadorismo ''



A década de 20 é considerada como o marco para a popularização do futebol no Brasil. O exemplo mais claro do fenômeno que se tornara ocorreu na final do terceiro campeonato Sul-Americano de Futebol (hoje Copa América), quando a seleção brasileira enfrentou o seleção uruguaia, em 29 de maio de 1919. A expectativa para a partida era tamanha que o presidente da época, Delfim Moreira, decretou ponto facultativo nas repartições públicas, enquanto que o comércio do Rio de Janeiro não abriu as portas naquele dia.

A popularização do esporte iniciou a briga entre o amadorismo, a realidade da época, e o profissionalismo. Os primeiros indícios de jogadores assalariados vêm do futebol operário. Inicialmente usado como lazer e fonte de disciplinarização para seus funcionários, os donos de fábricas logo perceberam que o sucesso das equipes que levavam o nome da fábrica era um ótimo meio de divulgação dos seus produtos. Os trabalhadores que se destacavam com a bola nos pés começaram então a gozar de vários benefícios, como prêmios por vitória (o 'bicho'), dispensa para treinos e trabalhos mais leves. Ocorria assim, pela primeira vez, a valorização do 'capital esportivo'.[18] Surgia então o que foi chamado do 'operário-jogador'. Sobre isso, o escritor Mário Filho, abordando o caso específico do Bangu, fala no livro O Negro no Futebol Brasileiro:


'' Desaparecera a vantagem de ser de boa família, de ser estudante, de ser branco. O rapaz de boa família, o estudante, o branco, tinha de competir, em igualdade de condições, com o pé-rapado, quase analfabeto, o mulato e o preto para ver quem jogava melhor. Era uma verdadeira revolução que se operava no futebol brasileiro.''


Indignados, os chamados 'grandes clubes' começaram a articular na Liga Metropolitana dos Desportos Terrestres (LMDT) uma forma de conter o avanço do profissionalismo. Acusando a LMDT de 'populismo' por apoiar os 'pequenos', os clubes da Zona Sul exigiram mudanças no regulamento interno da Liga, entre as quais cada clube teria um voto com um certo valor, cabendo a América, Botafogo, Flamengo eFluminense a maior pontuação. Tais mudanças não foram aceitas pela maioria das equipes restantes, o que levou a um racha no futebol carioca: os grandes mais alguns outros clubes abandonaram a LMDT e fundaram em 1 de março de 1924 a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos - AMEA.

O caráter excludente da nova liga se tornava claro logo em seu estatuto (direita), que excluia da prática esportiva desempregados, analfabetos e "os que tirem os seus meios de subsistência de qualquer profissão braçal".

- Com amadorismo, contudo, não podia resistir ainda por muito tempo, seja pelo situação interna do futebol no Brasil e até mesmo no mundo. No cenário externo, desde 1924diversas nações adotaram o profissionalismo, como Espanha, Itália e Áustria, na Europa, além dos vizinhos sul-americanos Argentina e Uruguai. A difusão do profissionalismo fez com que a FIFA em 1930 autorizasse na primeira Copa do Mundo a participação de atletas que recebiam ordenados.

Internamente a situação também foi se tornando complicada para o amadorismo. Em1932 um grupo de jogadores publicaram no jornal Gazeta Esportiva um manifesto onde pediam pelo direito de exercer sua profissão de jogador de futebol.[28] Em 1933 o jogador Floriano Peixoto Correa, conhecido como Marechal da Vitória, publica o livro "Grandezas e Misérias do Nosso Futebol", onde aborda de forma crítica o amadorismo. Segundo Correa:


'' Com o desenvolvimento do soccer no país, aumentou, naturalmente, o desenvolvimento do profissionalismo oculto. E o profissionalismo que devia ter sido legalizado nessa ocasião, passou a desfrutar uma proteção escandalosa de nossas entidades, clubes e paredros, unidos num deslavado semvergonhismo que depunha contra o seu carater e a sua conduta hipocrisia essa impotente para encobrir os escandalos que vieram depois.''
'' E o ‘amadorismo’ foi-se desmascarando. Em 1915 já não era escandalo a gratificação aos jogadores feita ás claras em qualquer clube de São Paulo ou do Rio, de Pernambuco ou do Rio Grande do Sul.'''

Além de Correa, companheiros também relatavam os problemas que a proibição ao profissionalismo lhe causavam. A transcrição a seguir é de Amilcar Barbuy:

'' Vou para à Itália. Cansei de ser amador no futebol onde essa condição há muito deixou de existir, maculada pelo regime hipocrita da gorgeta que os clubes dão aos seus jogadores, reservando-se para si o grosso das rendas.

Durante 20 anos prestei desinteressadamente ao futebol nacional os meus modestos serviços. Que aconteceu? Os clubes enriqueceram e eu não tenho nada. Sou pobre. Sou um pária do futebol. Não tenho nada. Vou para o país onde sabem remunerar a capacidade do jogador. ''


Ao clamor desses futebolistas foram se juntando também dirigentes de clubes, insatisfeitos com a situação de um 'amadorismo marrom', que não era nem um amadorismo, mas também nem um profissionalismo. Para tais, a profissionalização poderia transformar o esporte num espetáculo e sobretudo assegurar a permanência dos craques nas equipes.

Sem pagar salários a seus jogadores, os clubes amadores não conseguiam disputar com estrangeiros, que viam ao país com interessantes propostas financeiras para os atletas que se destacavam. Esse foi o caso de Fausto dos Santos, que em 1931 se transferiu para o Barcelona, daEspanha.

A subida ao poder de Getúlio Vargas, em 1930, também teve forte impacto no fim das práticas amadoras. O governo de Vargas impulsionou um projeto de integração da identidade brasileira e a criação de uma cidadania brasileira, de forma a estender direitos e deveres para uma maior parcela da população. Para tal, regulamentou muitos aspectos da sociedade, entre elas a criação de uma política de esportes mais organizada, estruturada e centralizada.

Resultado desse conjunto de fatores, em 1933 os presidentes de Vasco, Fluminense, América eBangu romperam com a AMEA e fundaram a Liga Carioca de Football (LCF), primeira entidade a aceitar oficialmente a inscrição de atletas profissionais.

Em agosto do mesmo ano a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) toma o mesmo rumo que a LCF. Ambas então se desfiliam da CBD e criam a Federação Brasileira de Futebol (FBF), que apoiava o profissionalismo e por isso obteve da FIFA o direito de representar o Brasil em competições internacionais.

Com o profissionalismo começando a ganhar forma, a CBD passou então a ser a grande antagônica do processo, o último bastião do amadorismo. As freqüentes brigas entre a mesma e a FBF fez com que na Copa do Mundo de 1934 o Brasil enviasse apenas jogadores amadores, o que resultou na desclassificação da equipe na competição. Em 1937, contudo, a CBD aceita o profissionalismo em troca da manutenção do seu poder sobre o futebol nacional. Era a extinção das práticas amadoras.

Futebol no Brasil !

2° parte

'' Os primeiros clubes e nossos primeiros campeonatos! "


O São Paulo Athletic Club foi a primeira equipe de futebol do Brasil, formada em 1894 por Charles Miller. Já o Associação Atlética Mackenzie College foi o primeiro time voltado para brasileiros, em 1898. O primeiro clube destinado só ao futebol foi o paulista Sport Club Internacional, fundado em 1899 e já extinto. Logo depois, no mesmo ano, foi fundado o Sport Club Germânia pelo alemão Hans Nobiling, hoje com o nome de Esporte Clube Pinheiros.

Devido a extinção do departamento de futebol do Germânia, o Sport Club Rio Grande é considerado primeiro clube de futebol, ainda em atividade, a ser fundando no Brasil. Está localizado na cidade do Rio Grande no Estado do Rio Grande do Sul. Em homenagem ao clube, a extinta CBD (hoje CBF) em 1976 instituiu a data de fundação do clube - 19 de julho - como o "Dia do Futebol".

Em 1901 o primeiro confronto entre paulistas e cariocas, que viria a ser consolidado em 1933 com o surgimento do Torneio Rio-São Paulo. Entusiasmado com o time formado pelo Rio Team, Oscar Cox começou a se corresponder com Renê Vanorden, do extinto Sport Club Internacional,Charles Miller e Antonio Casemiro da Costa, que viria a ser o fundador da Liga Paulista de Football, sobre a idéia de um jogo entre paulistas e cariocas. O mesmo ocorreu no dia 19 de outubro, no campo do São Paulo Athletic Club. O primeiro jogo terminou empatado em 1 a 1. No dia seguinte outra partida, que também acabou em um empate de 2 x 2.

No mesmo ano foi fundado a Liga Paulista de Football, em 19 de dezembro. Em 1902, foi realizado o primeiro campeonato oficial noBrasil, o Campeonato Paulista de Futebol, onde o extinto São Paulo Athletic Club sagrou-se campeão. Pouco a pouco, novos clubes foram surgindo no estado paulista, como o SC Americano, AA São Bento,SC Internacional, Ypiranga e o Paulistano, clubes este que tiveram forte atuação nos primeiros anos doséculo XX, mas logo deixaram de praticar o futebol em São Paulo.

No Rio de Janeiro, no dia 21 de Julho de 1902 foi fundado o Fluminense Football Club, primeiro clube de futebol do estado que estimularia a criação de uma liga carioca e organizaria o futebol na cidade. A partir de 1904, novos clubes surgiram, entre eles, destacam-se o Botafogo Football Club (atual Botafogo de Futebol e Regatas) e o América, esses do Rio de Janeiro. Em 1906, o primeiro Campeonato Carioca foi disputado, no qual o Fluminense foi campeão.

Entre 1910 e 1919, mais times e federações surgiram. O esporte tornou-se cada vez mais popular. Em1910, por exemplo, após uma visita do Corinthians FC de Londres ao Brasil, surgiu em São Paulo o atual Sport Club Corinthians Paulista. Em 1912, o Clube de Regatas do Flamengo começaria a jogar futebol, mas o Clube de Regatas do Flamengo foi o primeiro clube a praticar o esporte em 1892 (antes de sua oficialização em 1895) os jogos eram praticados em praias cariocas e na região correspondida atualmente pelo Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro, outros clubes, assim como Club de Regatas Vasco da Gama faria em 1915, clubes estes que existiam desde o século XIX, mas que iniciaram com a prática do remo no Rio de Janeiro.

Surgem os campeonatos regionais, e público e imprensa, interessados cada vez mais pelo esporte, difundiram-no pelo país. Separa-se dotênis e do críquete, esportes da elite, para despertar o interesse de toda a massa, principalmente na década de 1920.

Futebol no Brasil !


1° parte

'' A introdução do esporte.. ''

O futebol, no Brasil, é o principal esporte do país. Foi introduzido por Charles Miller, um jovem brasileiro que, após viagem pela Inglaterra, trouxe consigo duas bolas de futebol e passou a tentar converter a comunidade de expatriados britânicos da cidade de São Paulo de jogadores de críquetepara futebolistas, criando um clube de futebol no Brasil.

O futebol rapidamente se tornou uma paixão para os brasileiros, que freqüentemente referem-se ao país como "a pátria de chuteiras" ou o "país do futebol". Segundo pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas, o futebol movimenta R$ 16 bilhões por ano, tendo trinta milhões de praticantes (aproximadamente 16% da população total), 800 clubes, 13 mil times amadores e 11 mil atletas federados.

Como em muitos países, o futebol chegou ao Brasil nos pés de ingleses expatriados. No Brasil, o pai do futebol foi Charles Miller, o filho de um empregado de uma empresa ferroviária. Miller, que era nascido no Brasil, foi à Inglaterra para estudar na Banister Court School. Lá, se tornou um admirador do futebol e quando retornou ao Brasil, em 1894, trouxe com ele duas bolas de futebol.

No entanto, há registros que o esporte já havia sido praticado no país anteriormente. Em 1874, marinheiros estrangeiros disputaram uma partida em praias cariocas. Em 1878, tripulantes do navio Criméia enfrentaram-se em uma exibição para a Princesa Isabel.

Há também outras histórias não comprovadas. É dito que, em 1882, um homem chamado Mr. Hugh teria introduzido o futebol em Jundiaí, entre seus funcionários. Diz-se também que entre 1875 e 1876, no campo do Paissandu Atlético Clube, na cidade do Rio de Janeiro, funcionários de duas companhias teriam jogado uma partida. Contudo, a hipótese a partir de Charles Miller é a mais aceita e difundida no cotidiano brasileiro.

Partidas de futebol foram jogadas em Bangu, bairro do Rio de Janeiro, antes disso, com farta documentação reunida pelo pesquisador Carrlos Molinari, mas não atendiam naquela época há regras deste esporte, como times uniformizados por exemplo.

Logo após a introdução por Miller o esporte começou a se difundir por outros estados. Em 1897 o estudante Oscar Cox, regressando da Suíça, introduziu o futebol no Rio de Janeiro. A primeira equipe do estado foi o Rio Team, formada por Cox em 1901 . No Rio Grande do Sul a tarefa coube a Johannes Minerman e Richard Woelckers, em 1900, fundadores do Sport Club Rio Grande no mesmo ano. Na Bahia a José Ferreira Filho, em 1901. Em 1903 Guilherme de Aquino Fonseca após estudar na Hooton Lown School, na Inglaterra, voltou a Pernambuco e em 1905fundou o Sport Club do Recife. Vito Serpa trouxe o esporte a Minas Gerais em 1904 e Charles Wright ao Paraná em 1908.

Futebol no Brasil..

Ficheiro:Footballbrasil1899.jpg


"Numa tarde fria de outono em 1895, reuni os amigos e convidei-os a disputarem uma partida de football. Aquele nome, por si só, era novidade, já que naquela época somente conheciam o críquete.

- Como é esse jogo? - perguntam uns.
- Com que bola vamos jogar? - indagavam outros.
- Eu tenho a bola. O que é preciso é enchê-la.
- Encher com o quê - perguntavam.
- Com ar.- Então vá buscar que eu encho."

Foi assim, que, de acordo com Charles Miller, o futebol começou no Brasil, numa entrevista dada à revista O Cruzeiro em 1952. Em 1895 houve o que é considerado o primeiro jogo de futebol no país. Na Várzea do Carmo, em São Paulo, uma partida entre ingleses e anglo-brasileiros, formados pelos funcionários da Companhia de Gás e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. O amistoso terminou por 4x2, com vitória do São Paulo Railway.